St. Michael's Parish - Remuera-Auckland-NZ
Quando jejuardes, não tomeis um ar triste como os hipócritas, que mostram um semblante abatido para manifestar aos homens que jejuam. Em verdade eu vos digo: já receberam sua recompensa. Mateus 6,16
Quaresma não é tempo de tristeza nem cara feia. É ocasião para estreitar nossa amizade com Jesus e assumir seus pensamentos, sentimentos, critérios e valores.A beleza da quaresma está em adquirirmos a liberdade interior, desvinculando-nos do mal e do pecado. Assumir nossas sombras, curar nossas feridas, libertar nossa alma para a prática do bem fraterno e do bem comum, faz parte da penitência quaresmal.
A beleza da quaresma consiste ainda em realizar nestes quarenta dias uma romaria ao nosso interior, através de um retiro diário. Quanta riqueza contém os evangelhos da paixão de Nosso Senhor. É preciso meditá-los para ali, na escola de Jesus, aprendermos a admirar a imensidão do amor de Deus, a desagregação que vem do pecado e a recriação da humanidade.
Como não deixar-se atrair pelo sangue de Jesus? Suas chagas e o coração transpassado? Seu jeito de rezar, de catequizar, de viver cada etapa do seu processo, condenação e execução na cruz? É impossível não ser tocado por sentimentos de assombro e admiração perante a atitude filial de Jesus no sofrimento, sua fineza no trato com as pessoas, sua solidariedade mesmo sendo a vítima inocente?
Quaresma é tempo para fazer a experiência do encantamento pela pessoa de Jesus Cristo, para conhecê-lo interiormente, amá-lo ardentemente e seguí-lo generosamente. Em Jesus vemos o rosto do Pai e encontramos o nosso verdadeiro eu. Daí a necessidade de fixar nossos olhos nele.
Quem encontra Jesus Cristo tem a vida plenificada e a alegria de viver. Tem razões para sofrer e vencer, para amar inclusive a quem nos rejeita. Jesus faz a vida livre, nova, bela e grande. A amizade com Jesus abre as portas para grandes possibilidades, para a dilatação do coração e para a transformação da realidade.
Quem crê em Jesus Cristo passa da morte para a vida, da tristeza para a alegria, do absurdo para o sentido, das trevas para a luminosidade, do desalento para a esperança. Portanto, conhecer Jesus Cristo é nossa alegria, segui-lo é acolher a verdade do evangelho, torná-lo conhecido é oferecer o maior tesouro a todos os povos, através da missão.
A beleza da quaresma se expressa na oração, jejum e partilha (esmola). A oração coloca em ordem nossa relação com Deus, o jejum modera nosso egoísmo, especialmente o orgulho e as paixões, a partilha (esmola) é expressão do amor fraterno. Eis a espiritualidade quaresmal.
Morrer ao pecado e nascer para a vida nova, é uma páscoa cotidiana. Estamos sempre em páscoa, isto é, em passagem do mal para o bem, da mentira para honestidade, da vingança para a misericórdia. É um processo de conversão permanente, um combate ético e espiritual.
A quaresma pede um jeito novo de viver e um ritmo diferente na vida cotidiana cujo objetivo é alcançar o amor fraterno. O coração do cristianismo é o amor sem medidas, sem limites, sem recompensas e interesses. Amar do jeito que Jesus amou. Ele amou primeiro, de modo incondicional, amor universal, amor de entrega e doação de si. Jesus é a visibilidade do amor de Deus e protótipo do amor humano.
Meditando a paixão de Jesus, somos tomados de maravilhamento por Deus e de compaixão com os irmãos. A beleza da quaresma se expressa no aumento da fé, da esperança e do amor. Paulo apóstolo aconselha-nos a crucificar o mundo, a carne, as paixões e, por outro lado, a carregar a cruz dos irmãos. Hoje os crucificados do mundo são muitos. Existe pois a paixão do mundo que são os sofrimentos da humanidade. Até a natureza geme e sofre, esperando a libertação. A paixão de Jesus redime todas estas paixões e abre as portas de um mundo novo, que chamamos, reino de Deus.
Dom Orlando Brandes- Arcebispo de Londrina-PR -Brasil
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Evangelho do dia. Meditemos sobre ele também.
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: “Pedi e vos será dado! Procurai e achareis! Batei e a porta vos será aberta! Pois todo aquele que pede recebe; quem procura encontra; e a quem bate a porta será aberta.
Quem de vós dá ao filho uma pedra, quando ele pede um pão? Ou lhe dá uma cobra, quando ele pede um peixe? Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar coisas boas a vossos filhos, quanto mais vosso Pai que está nos céus dará coisas boas aos que lhe pedirem! Tudo quanto quereis que os outros vos façam, fazei também a eles. Nisto consiste a Lei e os Profetas”. Mateus 7, 7-12
Altar da Catedral de Auckland - St. Patrick's Cathedral - St. Patrick à esquerda
Hoje é dia de São Patrício, "St. Patrick's day", que é o padroeiro da Catedral da cidade de Auckland onde moro.
Como estou vivendo aqui, não poderia deixar passar em branco esse dia.
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O santo de hoje nasceu na Grã-Bretanha, no ano 380. Oração, penitência, uma vida de entrega a Deus que foi capacitando São Patrício a responder em Cristo diante das tribulações da vida.
Aos 16 anos foi capturado e preso por piratas irlandeses. No perdão, na oração e na atenção de encontrar um espaço para a fuga, conseguiu fugir para a França, onde continuou seu discernimento na busca da vontade de Deus.
Tornou-se sacerdote missionário, evangelizando na Inglaterra e na Irlanda. Já como bispo, salvou muitas almas através de seu testemunho de santidade, a ponto de tornar a antiga Irlanda toda católica, do empregado ao rei.
A historia da Irlanda ficou marcada com a contribuição de São Patrício, que através da construção que fez de diversos mosteiros, deixou nesse lugar a fama de “ilha dos mosteiros”.
Faleceu com cerca de 80 anos.
São Patrício, rogai por nós!