O lixo florido + Uma pequena realização

Minha primeira cestinha florida.

Um Domingo, eu voltava tranquila da Missa, quando vi alguns objetos à beira da estrada com a plaquinha "free" (grátis).
 Pra quem ainda não sabe isso é um procedimento comum por aqui. Quando as pessoas querem doar algo que não precisam, elas deixam uma plaquinha pra que as pessoas possam levar.
Vejam um exemplo abaixo:

Uma coleção inteira de livros de culinária, que estava na beira da estrada.
Mesmo na hora de desfazer a pessoa teve capricho.

Como não tinha acostamento pra parar imediatamente, fiz o primeiro retorno que encontrei, e fui conferir. 
Então, chegando lá, além de outras coisas muito aproveitáveis, tinham três cestas como essa da foto.

Guardei no meu esconderijo secreto na shed, até chegar o momento do reaproveitamento.
Pensei em pintá-las, mas como não tenho tinta suficiente, apenas dei uma ajeitadinha e limpeza nelas, já que estavam bem sujas.

Eu tinha loucura pra ter uma cestinha florida como essa, e vivia namorando nas lojas de jardinagem. 
Ontem, a loja colocou uma ótima promoção de flores, e eu não perdi tempo.
Além de realizar meu desejo, eu pude montar com minhas próprias mãos.  A maior realização disso tudo é dar vida ao que poderia virar lixo.

Tenha uma abençoada semana!

Gás metano - Imposto de pum de ovelha + Abandonar o blog? Jamais!

 
 Imagem comum nas fazendas da região.
Parar na estrada pra passar uma manada de ovelhas acaba sendo um divertimento, desde que elas não soltem pum... Rs
Aff é terrível!


Além dos comentários nos posts, eu recebo vários emails de leitores que comentam, dão opiniões e deixam mensagens de carinho.

E, em respeito aos que gostam de ler o blog pra saber algumas curiosidades da Nova Zelândia, trouxe hoje, um assunto diferente e curioso.

Esclarecendo também, que não tenho nenhuma intenção de abandonar o blog. Como comuniquei aqui, estou com muito pouco tempo livre pra internet, e pra montar um post é necessário editar fotos, corrigir textos etc. E isso leva bastante tempo.

A minha ausência nas atualizações, visitas e comentários é só por esse motivo. Mesmo assim, já estou me organizando para ter um dia de folga durante a semana, pra poder estar mais presente por aqui.
Atualizar o blog e interagir com vocês faz parte de minha vida. Não dá pra ficar longe por muito tempo. Risos

Então, pra falar um pouco da NZ, eu separei um assunto diferente, curioso, interessante e sério que é a preocupação com os problemas ecológicos.

Pra quem não sabe, a população da NZ é de aproximadamente 4.300.000. De ovelhas 35.000.000, conforme informado nesse reportagem. 
Portanto, têm mais ovelhas do que gente no país. 

Pra aqueles que  não tem tempo ou paciência pra ler todo o texto, leiam pelo menos onde está destacado em vermelho, que dá pra entender sobre o assunto.


Nova Zelândia quer reduzir o gás metano nas flatulências das ovelhas

France Presse

PALMERSTON NORTH, 3 Mai 2012 (AFP) -Para reduzir as emissões de CO2 atribuídas ao gado, os cientistas neozelandeses estudam uma maneira de purificar as flatulências das ovelhas, suprimindo o metano que os ovinos expelem para a atmosfera.

Os cientistas tentam principalmente compreender por que algumas espécies poluem mais do que outras e se alguns regimes alimentares são mais ecológicos.

"O aumento da atenção para a mudança climática e as novas tecnologias nos permitem esperar conseguir o que antes era impossível", explicou Peter Janssen do Centro de Pesquisas sobre o Gás com Efeito Estufa de origem agrícola.

Num laboratório de Palmerston North, na ilha do Norte do arquipélago neozelandês, os animais são fechados durante dois dias um por um em caixas herméticas onde há filtros que medem a frequência de suas flatulências e seus conteúdos.

Os cientistas esperam, graças à genética, poder elaborar uma vacina que impedirá os ruminantes de gerar gás metano (CH4), uma hipótese possível dentro dos próximos 15 anos.

"Agora podemos identificar esses organismos e designá-los especificamente para trabalhar em vacinas a partir de moléculas inibidoras que atacam apenas os micróbios que produzem o metano", explicou Peter Janssen.

Os ruminantes digerem seus alimentos parcialmente, fazendo-os fermentar no estômago antes de devolvê-lo - junto com uma importante quantidade de metano - para poder mastigá-lo mais facilmente.

As Nações Unidas estimam que 18% das emissões com efeito estufa no mundo se devem aos animais de gado. Mas a proporção é claramente mais elevada - da ordem de 50% - na Nova Zelândia, onde pastam 35 milhões de ovelhas e oito milhões de vacas.

O arquipélago investe 50 milhões de dólares neozelandeses (30,8 milhões de euros - 39,8 milhões de dólares americanos) em um programa de redução das emissões poluentes de origem agrícola.

Os agricultores, antes alheios aos problemas ecológicos, agora estão associados a estes trabalhos.

Em 2003, o governo criou um imposto para favorecer a investigação científica, mas teve de voltar atrás ante a pressão dos agricultores denunciando "o imposto dos peidos" (apesar de 90% das emissões, na realidade, serem oriundas de arrotos).

"Nem mesmo o grande público havia compreendido. Na Nova Zelândia é provavelmente justo dizer que somos céticos em relação à mudança climática", admitiu Rick Pridmore, diretor de desenvolvimento sustentável da Federação de Produtores de Leite.

"Mas isso mudou nos últimos cinco anos. Acho que agora os agricultores chegaram a um acordo", acrescentou.

A vacina pesquisada poderá melhorar as capacidades digestivas dos animais, e reduzir assim suas rações alimentares.

O metano (CH4) é emitido pelas zonas úmidas, a extração do carvão, a indústria do gás e do petróleo, as flatulências dos ruminantes e a decomposição dos dejetos orgânicos nos lixões.

Fonte da Reportagem - G1

Uma vez, minha amiga que tem uma fazendinha aqui perto, e já mostrei aqui, me ligou pedindo pra ir lá colocar ração para os animais.  As ovelhas resolveram soltar gases flatulentos enquanto eu cuidava delas. Foi uma experiência nada agradável. Risos 
Não posso imaginar 35 milhões de ovelhas, fazendo isso ao mesmo tempo. Misericórdia! Risos

Sei que o assunto não vai agradar a todos, mas me pediram curiosidades sobre a NZ. Obedeci. Risos
Vocês são testemunhas que não escrevi o nome verdadeiro do imposto. Ele só consta na reportagem do G1.

Tenham um abençoado Domingo

Capuchinha - A trepadeira do meu Jardim Produtivo

 Lindo formato e cor.
 Essa eu fotografei caminhando. Resolveu enfeitar uma velha caixa de correio
 Ramos floridos da minha plantação.
A minha plantação dá a volta pelos fundos do quintal.

Tenho saudade do começo do blog quando eu tinha tempo pra pesquisar os assuntos que postava aqui. Aprendi muito pesquisando e me sentia realizada em poder passar algo que eu havia descoberto e aprendido.

As coisas tomaram novos rumos, e o tempo ficou curto. Mesmo assim, tento aproveitar os poucos momentos livres pra postar algo útil aqui no jardim.

Existe aqui no meu "jardim produtivo", é assim que vou chamá-lo a partir de agora, onde as plantas nascem espontaneamente nos fundos do meu quintal. Gostaria de ter tempo para descobrir o nome e as propriedades de todas, quem sabe um dia eu consiga. Risos

Dessa vez, eu escolhi a capuchinha, que é muito conhecida, e na maioria das vezes, nem um pouco valorizada. Já sabia de algumas propriedades dela, mas não imaginava que fossem tantas.

Creio que vocês devem saber ainda mais sobre as utilidades dessa planta que nos presenteia com tantos benefícios e flores de cores variadas que ajudam a enfeitar o nosso mundo.

A pesquisa diz que as cores da flores são alaranjadas ou vermelhas, mas eu já vi bem mais clara em tom amarelado também.


Medicinal Capuchinha

Folhas e flores ricas em vitamina C, combate bronquites, expectorante. anticatarral, combate queda de cabelos, previne prisão de ventre, bom para pele. Abre o apetite, facilita a digestão e são calmantes. Trata de infecções urinárias.
Infuso: 2gs de folhas em 100 ml de água fervente por 10 minutos. Tomar 3 ou 4 vezes ao dia ou usar como loção no couro cabeludo.

Cosmética:
Esmagar sementes, misturar sumo vaselina, passar espinhas. Poderoso aliado contra o envelhecimento da pele. É rico em vitamina C, podendo ser consumido em sucos ou saladas.Para ter cabelos fortes e brilhantes, ferva 50 gs folha fresca (2 col de sopa) triturada em um litro de água por cinco minutos. Esprema, coe e use para enxaguar os cabelos. A capuchinha também é usada popularmente para combater a queda de cabelos; para tanto prepare um emplastro triturando bem as folhas e flores frescas num pilão e friccione o couro cabeludo por 5 minutos. Enxague com água fria e repita uma vez por semana o procedimento.


Uso culinário:
Atualmente foi valorizada principalmente pelos restaurantes finos, que servem suas folhas e flores em saladas nutritivas e atraentes.Suas folhas contém grandes quantidades de vitamina C, de reconhecidas propriedades anti-escorbúticas. Comer suas folhas e flores cruas em saladas, ajuda a combater o início da gripe, abre o apetite e favorece a digestão. O suco das folhas é auxiliar na expectoração, ajudando a acalmar a tosse. Se consumida à noite, a Chaguinha atua contra a insônia. O sabor das folhas e flores da chaga lembra o agrião; as sementes, conservadas em vinagre, são conhecidas como alcaparra dos pobres, e podem perfeitamente substituir a própria na preparação de pratos.

Nomes Populares Capuchinha, chaguinha, chaga de cristo, nastúrcio
Nome Científico Tropaeolum majus / Família Tropeoláceas
Planeta O planeta regente é o SOL
Origem Sua origem remonta aos Andes peruanos.
Partes usadas Folhas, flores e sementes

Características e Cultivo Trepadeira ou prostrada de caule grosso, retorcido e suculento, com folhas grandes e arredondadas. Flores têm coloração alaranjada ou vermelho, com manchas escuras no seu interior. Seus frutos podem ser preparados como alcaparra, com água e sal. Terrenos incultos, melhora a saúde do pêssego (atrai nematóides), amiga da couve e do repolho. Afasta pragas. Em solos férteis reproduz-se por pedaços de caule e sementes, e raízes

Fonte de pesquisa

Com uma plantação dessas, e eu tenho queda de cabelo. Pode isso?
Quanta falta de informação, não é mesmo?
Muitas vezes, temos plantas preciosas ao nosso redor e não sabemos como utilizá-las.

Já perceberam que agora, sou blogueira de finais de semana? Pois é. Não tem jeito. Por mais que eu tente, não dá tempo durante a semana. 
Não falta assunto e fotos, mas falta tempo no momento.
Um abençoado final de semana para todos nós.

Como foi meu dia das mães + jardim silvestre + respeito humano

Uma das flores do meu jardim silvestre. Presente de Deus.

Eu postei aqui, sobre as flores silvestres que nascem no fundo do meu quintal, sem que ninguém as tenha plantado.
Pequenas florzinhas que poderiam ser anônimas, se não tivessem recebido a minha visita. 
A partir de agora, elas são flores do meu jardim, e vão fazer parte nas ilustrações do blog.

Esse é meu jardim. O jardim que Deus me deu de presente. Vou cuidar dele com muito carinho, apesar de saber que o Senhor cuida de tudo. Envia os pássaros para trazer as sementes, aduba a terra com as próprias folhas que caem, manda chuva, sol, luz e tudo que elas precisam pra sobreviver.

Ofereço essa singela florzinha silvestre para todas as mães com muito carinho.


O meu dia das mães foi maravilhoso. Não esperava passar horas tão agradáveis.
Depois de ligar pra minha querida mãezinha, fui à Missa de manhã, e logo após fui pra casa de uma amiga brasileira, que conheci em Outubro do ano passado. Foi à primeira amizade que fiz aqui com uma pessoa de minha terra, após dois anos e meio.

Hoje, ela me convidou pra ir à casa de outra brasileira que estava querendo me conhecer.

Chegando lá, o esposo dela, que é chef de cozinha em um restaurante da cidade, preparou uma mesa maravilhosa, que eles chamaram de café da manhã, que mais parecia um almoço.

A mesa foi posta com muito capricho, e o acolhimento deles foi dos nossos. Coisas que só nós entendemos como estamos fora de nossa casa pátria.

Foi o melhor dia das mães que passei fora de casa. Os outros dois dos anos anteriores, eu prefiro não comentar. Risos 

"Depois de conviver com gente de todos os cantos ditos civilizados, vale a pena mergulhar no ambiente de um grupo de brasileiros trabalhando duro longe de casa". Amyr Klink. Trecho do livro Mar Sem Fim.  

Não gosto de misturar assuntos em um só post, mas como meu tempo agora é curto, e, quero falar um pouco de tudo que vivo, de vez em quando, vocês vão encontrar uma baguncinha dessas por aqui. Risos
Ontem, encontrei na caixa do correio, um bilhete em Inglês que dizia assim: 

Querido vizinho (a)..........(nomes)
Somente para informar que H..... vai dar uma festa essa noite, em comemoração a seu 23º aniversário.
Mais carros vão circular, que de costume.
Pedimos desculpas por antecedência, e, por favor, nos informe se o som estiver muito alto.
Nosso telefone é xxx xxxx K.....& D..........

Além disso, o pai do aniversariante veio aqui, e foi de porta em porta avisar sobre a festa e retificar o pedido do bilhete.
A festa aconteceu, e não escutei nenhum barulho que fosse fora do normal. Apenas um som musical ao longe.

Deixo bem claro, que não é minha intenção fazer nenhuma critica, causar polêmica, e muito menos dizer que aqui é o paraíso, ou o melhor lugar do mundo. Apenas ressaltando uma atitude, que já vivenciei aqui duas vezes, e que admiro muito.

Meu Domingo já está terminando, e de vocês, provavelmente, começando. E, posso imaginar os restaurantes cheios, a fumaça e cheirinho de churrasco nos quintais, as mães ganhando presentes, homenagens, o calor humano, coisas que parecem só existir na terra adorada.

Uma semana abençoada para todos nós!

Lixo que decora e organiza - Os amados caixotinhos de madeira

Caixotinhos que decoram e organizam o ambiente.
Foto cedida pelo meu irmão.

Quando eu fui ao Brasil, fiquei impressionada com a quantidade de caixotes de frutas, ou de feira como são chamados, jogados nos cantos das calçadas. Pra minha maior tristeza, muitos, misturados com o lixo. Fiquei tão chateada, que não tive coragem de fotografar.

Talvez, eu tenha passado por muitos enquanto morava lá, mas minha vida era tão centrada no trabalho e nas preocupações diárias que não os enxergava.

Alguns, em péssimas condições, mas juntando três, poderia ser aproveitado pelo menos um, fazendo uma reforma para reforçá-los.

O mais triste disso tudo é ver as pessoas passando e vendo todos aqueles caixotinhos como se fossem coisas sem nenhuma utilidade, ou seja, lixo. Lixo, que além de não ser reaproveitado, vai poluir ainda mais o nosso planeta, tão sofrido.

Uma pena! A prova de que eles podem e devem ser reaproveitados, além de decorar com muita beleza, são esses inúmeros trabalhos que temos visto nos blogs.

Aqui na NZ, eu não os encontro com essa facilidade.

Entendo que não é fácil perder a vergonha e pegar caixotinhos, ou seja, lá o que for, nas ruas, principalmente nas caçambas e levar pra casa.

Há algumas semanas atrás, eu vi um lindo objeto em cima de uma lixeira. Como estava longe de casa, e havia deixado meu carro na estação de trem próximo de onde moro, fiquei com vergonha de trazer, já que era grande. Só não fiquei com mais raiva de mim, por não ter tido essa coragem, porque a minha amiga que mora em frente a essa lixeira, pegou e levou pra casa. Que alívio! Se eu tivesse deixado aquele lindo objeto lá, sem dono, acho que perderia pelo menos uma noite de sono. Risos Mas ele está em boas mãos.

Por esse motivo, que entendo que não é fácil, principalmente no Brasil, onde tudo é "pagar mico", pra quem não sabe, quer dizer, "vergonhoso". Precisamos superar essa vergonha e fazer algo pelo nosso tão sofrido planeta, que vai gerar benefícios pra nós mesmos.

Como vocês devem ter percebido, a foto ganhou uma marca da logo do blog. Confesso que não gostei, mas foi a única forma que encontrei de inibir o plágio.

O Mar não tem Fim


Sempre gostei de ler, mas por muitos anos de minha vida, pela falta de tempo e correria, abandonei um pouco esse hábito. 

Quando vim morar na Nova Zelândia, trouxe alguns livros e revistas em Português, e achava que iriam durar uma eternidade. Cheguei em pleno inverno. Li todo o material que eu tinha em poucos dias. Era a única forma de ocupar minhas muitas horas livres, e suportar o inverno mais longo de minha vida.

Quando eles acabaram, a solidão me pegou. Fui para as bibliotecas públicas, fiz a minha carteirinha e passava horas lá folheando livros e revistas. Muito pouca coisa em Português brasileiro, e alguns em Português de Portugal. Um deles era tão antigo que eu não entendi o significado de muitas palavras. Pena que não guardei o nome.

Mas quem tem amigos, nunca está só. A Valéria Simonetti, que já falei dela várias vezes aqui, começou a me enviar livros e revistas. Ela, como educadora sabe a importância da leitura. Por ter morado fora do Brasil, sabe como dói a solidão. Como amiga, sempre está atenta a todas as minhas necessidades. Quase três anos se passaram, e ela continua enviando preciosos materiais pra que eu não me esqueça do meu lindo idioma, o Português.

Pensando nisso, todas as oportunidades que tenho, compro livros no Brasil. Quando meu irmão veio, trouxe alguns, que eu comprei pela internet e enviei para o endereço dele.
Quando fui ao Brasil esse ano, trouxe outros, e alguns, ainda não li. Estou guardando para o inverno, que está vindo com toda a força, em pleno Outono. Embora, já não tenha mais tanto tempo disponível, como quando aqui cheguei. Graças a Deus!

Junto com os livros que meu irmão trouxe em Janeiro de 2011 estava o maravilhoso livro 'Mar Sem Fim", do Amyr Kink.
Portanto, ele ficou um ano e três meses aguardando a vez da leitura em minha estante. Que absurdo! Como demorei tanto pra pegar esse livro em minhas mãos, ler e verificar a preciosidade que ele é.

Semana passada, eu o peguei e passei na frente de outros. Foi uma ótima decisão.
Como já falei aqui, estou com meu tempo livre muito curto, devido ao trabalho e escola. 
Como moro bem afastado do centro da cidade de Auckland, é mais comodo ir de trem, pois assim, economizo em todos os sentidos. Deixo o carro na estação mais próxima de minha casa e pego o trenzinho confortável e silencioso pra começar a minha jornada.
E, assim, eu consegui terminar de ler o "Água para Elefantes". E o livro do Amyr, li em cinco dias durante a viagem que dura mais ou menos trinta minutos.

Gostei demais do que li, e me emocionei em muitos trechos, que destaco abaixo pra vocês, que podem ser lidos e acompanhados nesse vídeo.




“Tanto mar, invés de nos separar, nos uniu. Em 141 dias de ausência, do início ao fim, o Paratii fez a sua volta e retornou a Jurumirim. A Terra é mesmo redonda. Ao longo do caminho, pensando bem, nem vento, nem ondas, nem gelo tão ruins, porque no fim, nada impediu meu veleiro de voltar inteiro à sua baía. E nada foi melhor do que voltar para descobrir, abraçando as três, que o mar da nossa casa não tem mesmo fim.

Pior do que passar frio, subindo e descendo ondas ao sul do oceano Índico, seria não ter chegado até aqui. Ou nunca ter deixado as águas quentes e confortáveis de de Parati. Mesmo que fosse apenas para descobrir o quanto elas eram quentes e confortáveis. Eu senti um estranho bem estar ao contornar gelos tão longe de casa.

Hoje entendo bem o meu pai. Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou tv. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar do calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é, que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver”.


Muitos trechos me tocaram. Ele deu a volta de 360º ao mundo. Eu, não dei essa volta toda. Apenas, atravessei o Oceano Pacífico deixando pra trás toda a minha vida, uma história, amigos, família, trabalho e muitas lembranças. Duas histórias totalmente diferentes, mas que experimentaram os mesmos sentimentos.
Por isso, entendo muito bem o que significa o trecho abaixo:

"Fui dormir perto das três da manhã. como o dia já havia nascido, dolorido de saudade. Dor física verdadeira, dor da falta que alguém pode fazer, da vontade de sentir e ver. Uma dor que não senti antes. Dor de prazer, de ansiedade, de querer infinitamente bem. Dor que tinha um só remédio: seguir em frente, andar rápido e atento".


Comprei o livro usado, em ótimas condições de uso na Estante Virtual, e só agora percebi que ele está autografado pelo autor.

Nada. Nem a grandeza do Oceano Pacífico me separará do amor de Deus, e daqueles que amo, e que deixei no Brasil.

Os trechos entre aspas ("), foram tirados do livro "Mar Sem Fim".

Demorei muito pra formular esse post, e não consegui ainda, retribuir todas às visitas e comentários do post anterior. Agora, são 10.07 PM de sábado aqui na NZ,  no Brasil  07.07 AM. Estou muito cansada e com sono.
Amanhã, pretendo colocar todas as minhas pendências do blog e respostas dos emails, em dia. 
Tenho sentido muita falta desse nosso contato, que era quase diário.
Boa noite pra mim. Bom dia Brasil, Portugal e resto do mundo!

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