No começo do ano, eu falei aqui sobre "depressão". Não quis me aprofundar muito, e deixei meu e-mail, caso alguém desejasse falar sobre o assunto, ou fazer alguma pergunta. Pra minha surpresa, recebi muitos. Pessoas que eu nunca imaginei que lessem o meu blog. Apenas leitores silenciosos, que nunca comentam, mas sabem detalhes do conteúdo de minha página. Até profissionais de saúde de outros países, me escreveram oferecendo ajuda. E, muitos também oferecendo um ombro amigo e orações. Tanto carinho e atenção, o que me fez sentir protegida e muito amada.
E, no momento que escrevi aquele post, eu estava muito pra baixo e sem ânimo. Com a ajuda de vocês, meus amigos, do meu médico, e primeiramente de Deus, que nunca me abandona, depois de quase cinco meses de tratamento, eu estou muito bem. Claro que tem os altos e baixos, mas nunca mais fiquei mal do jeito que eu estava. Aos poucos, estou resgatando a minha alegria. Ainda falta muito, mas sei que estou no caminho certo.
Uma das primeiras perguntas que meu médico fez, foi se eu queria passar um tempo no Brasil. E, naquele momento, era a última coisa que eu queria. Não estava com vontade nenhuma de ir, mesmo sentindo muita saudade. Não era a distância que estava me fazendo mal, e sim, muitas coisas acumuladas dentro de mim, durante anos. E, só aceitei o tratamento porque o médico me disse que no meu caso, poderia ser hereditário. Sendo assim, por mais que eu tivesse fé e coragem, nada poderia impedir.
Sempre fui contra antidepressivos, e isso estava me deixando ainda pior. Fiquei três dias com a caixa de remédios ao lado do meu computador. Olhava e pensava: eu passei por momentos terríveis na minha vida, e nunca precisei de vocês, e não vai ser agora que eu vou me entregar. E, depois de uma semana que comecei a tomar, me sentia tão bem, que me arrependi de não ter começado antes. Risos.
Voltei a ter ânimo pra caminhar, cuidar de minhas plantinhas e horta, estudar, ler, escrever no meu blog e cuidar de mim. Sinto que ainda não estou 100%. Quero voltar a ser aquela Lucinha alegre e sorridente o tempo todo, que dava força para os amigos, ao invés de pedir forças.
E, passeando nesse lindo jardim com vocês, eu me sinto à vontade pra conversar e desabafar. Aí de mim se não fosse Deus na minha vida, e esse blog! Sinto-me muito feliz interagindo com vocês.
Muitos perguntam como vim parar aqui na NZ, e se não tenho vontade de voltar pro Brasil. E, digo com toda a sinceridade de meu coração; não tenho vontade nenhuma de voltar, a não ser de férias, à passeio. Isso porque sinto muita saudade de minha família e amigos.
Amo minha Pátria, e não gosto que falem mal do Brasil. Sei muito bem os problemas que ele tem. Sou brasileira, pago todos os impostos como se estivesse ainda morando no meu país, as pessoas que mais amo, moram nele. Não quero de forma alguma esquecer as minhas raízes e minha cultura, embora, esteja muito bem adaptada aqui. Moro aqui porque gosto, e nada me prende, a não ser meu desejo.
Eu fiz o caminho ao inverso de muitos. Na maioria, os filhos deixam o país e os pais, para irem morar no exterior. No meu caso foi diferente. Eles ficaram no Brasil, e eu vim morar aqui. E, a única explicação que tenho pra isso, é que...
não tinha nada que me prendesse no Brasil. Minhas filhas, já adultas, e cuidando de suas vidas e filhos. Divorciada há nove anos. Já havia virado parede e bens móveis da Empresa que trabalhava. Rs. Por que não vir e tentar?
E, nunca me arrependi. Gosto demais daqui. Adaptei-me
com o estilo simples de vida dos kiwis. Tenho uma qualidade de vida, que não
tive em toda a minha vida. Trabalho, estudo, cuido das minhas plantinhas,
caminho e contemplo a natureza. Percebo detalhes nela, que com a vida corrida no
Brasil, eu não percebia.
Sinto falta de muitas coisas, mas que são substituídas por outras. Dentre elas, o calor humano do nosso povo, a fé de nossas Igrejas, os abraços apertados dos amigos e familiares, da comidinha gostosa, de algumas frutas, como manga e goiaba, e muito mais.
E, pra terminar a nossa conversa, eu sugiro, se você tiver algum sintoma de depressão, procure logo um profissional da área, pesquise sobre o assunto, e não deixe de fazer o tratamento médico. Além disso, procure fazer algo que lhe sirva como terapia. Eu caminho, cuido de minhas plantinhas e hortinha, contemplo a natureza nos seus mínimos detalhes, leio, e agora, cismei que quero aprender sobre fotografia, e pretendo voltar ao aprendizado de costura e trabalhos manuais.
Contemplando as belezas desse lindo jardim, eu agradeço...
imensamente a todos vocês, que de alguma forma estão me ajudando a superar esse momento. Muito obrigada de coração, pelo carinho e atenção!
Essas imagens são de um jardim japonês, que uma leitora e amiga me enviou de presente, lá da França. Caminhando e fotografando, ela se lembrou de mim. Isso é lindo. Ato como esse me dá forças pra superar qualquer coisa, ainda mais um depressãozinha de nada. Risos.
Algumas considerações:
Kiwis - Como os neozelandeses são chamados.
Texto - Perdoem-me se há erros. Não revi o texto. Escrevi o que vinha ao meu coração. Se voltasse para rever, poderia mudar algumas coisas, e não teria o mesmo sentido. A linguagem é simples e informal, como quando os amigos têm uma boa conversa.
Aprendizado - Nem tudo são flores. Claro que não foi fácil no começo minha adaptação com a cultura, idioma, clima etc. Mas, quem atravessa um oceano e deixa tudo pra trás, está pronto pra enfrentar qualquer obstáculo.
Quem faz parte disso - Não quis citar nomes, mas com certeza, você também faz parte.
Muito obrigada pelo ombro amigo, e pelo passeio nesse lindo jardim!